Sobrevivemos!!!

Foi duro, foi muito duro mas estamos são e salvos depois da 3 dias demolidores para as motos. Chegámos ontem a Humaitá depois de 670 kms atravessando a amazonia pelo meio de atoleiros muito dificeis, pantanos, areias movediças e onças à espreita. Há quem diga que Deus proteje os audazes, nós gostamos de acreditar na nossa sorte de "Inshalah", o certo é que nós somos realmente abençoados com momentos maravilhosos. Estes ultimos 4 dias provaram isso mesmo. Na balsa que cruza o Rio Negro, atravessa o Amazonas e entra no Rio Solimões conhecemos o Osmar, ele nos alertou para os perigos do asfalto esburacado até à proxima balsa em Castanho onde pertendiamos dormir nessa noite. Se ofereceu para nos guiar pois caí uma neblina forte na floresta alagada desta região e de noite fica muito perigoso. Aceitamos a sua generozidade e seguimos ele até 30 kms antes de Castanho, aí fica sua fazenda e ele prontamente nos convidou para pernoitar lá. A noite foi magnifica, dormimos em redes e em tendas no alpendre da fazenda depois de um duche ao ar livre directamente da caixa de agua e de um frango á passarinha delicioso feito pelo Jeová, o irmão de Osmar. No dia seguinte depois de uma caminhada ao nascer do sol, Osmar no levou a Castanho, abastecemos cerca de 45 litros de combustivel por moto, agua e comida e dissemos adeus à civilização. Os 2 dias que se seguiram foram duros, começamos com pista boa e rolante mas logo apareceram os lameiros ou como chamam aqui os atoleiros. O barro aqui é muito fino e cola de uma forma incrivel, 500 metros depois do primeiro foi feita a primeira paragem técnica para desmontar os para lamas dianteiros das Tenerés. A lama e as enormes crateras são muito duras para a transmissão, a minha saltou duas vezes e foi necessário esticar um pouco todas no fim do dia. Como já disse a nossa sorte "Inshaláh" presenteou-nos com uma pousada maravilhosa do lado de um rio dourado com o por do sol. Vimos uns meninos dando uns mergulhos nas margens do rio e resolvemos dar umas braçadas rio adentro (inconscientes.... mais tarde soubemos que todo o rio aqui tem anaconda, jacaré, piranha e mais um sem fim de bichos assim...) Mais uma vez montámos a rede e dormimos num telheiro com uma vista inesquecivel, no rio um boto (golfinho de "agua doce") veio fazer a sua visita diária à aldeia e procurar os peixes que as crianças lhes oferecem sempre à mesma hora. Acordámos com o nascer do sol como já é nosso hábito, comemos umas frutas, um café e segue viagem. Aqui começamos a atravessar a região mais isolada do percurso, atravessámos mais de 400 kms sem ver um unica pessoa, um sitio, uma fazenda, nada... a unica coisa que se vê é floresta, mata, pantanos e rios, mesmo a vida selvagem é dificil de ver, sabemos que está lá, dá para ouvir e sentir o mexer das folhagens mas não se vê nada para dentro da floresta densa. Desde que entrámos no Brasil que nos falam que somos doidos de fazer esta estrada, dizem que tem muita onça (felino tipo jaguar) e que ataques a humanos não são raros por aqui, quem vai de carro ainda está protegido mas de moto estamos muito expostos. Resolvemos esse problema com a compra de algumas catanas "para defesa pessoal" e muito espirito Inshalah, quando tinha uma paragem um ficava sempre de guarda... ainda vimos um dorso negro mexendo no mato... e uns olhos amarelhos... mas não deu para perceber o que era... A pista é muito dura, existem crateras enormes, estamos no inicio da epoca seca mas ainda tem muita lama na pista, nos poucos pedaços de asfalto que resistem aos 30 anos de abandono encontramos degraus com 20 cms com ponta afiada e tudo isto é muito destruidor para as motos. Não conseguimos um ritmo que ajude a arrefecer os motores, não conseguimos passar de 2ª ou 3ª, as motos enterram tanto na lama que as malas batem no chão, mais uma corrente que sai, uma mala que caí, uma moto que engasga numa poça, enfim... não conseguimos adiantar muito e sem aldeias nos proximos 300kms só nos restou procurar o refugio do interior da vedação de uma das antenas da Embratel, nessa noite o zoológico era invertido, nós que estavamos no interior da vedação e a bicharada do lado de fora... em compensação um céu que não deixa muito a dever ao das noites no Sahara. A noite começou por ser complicada, a agua estava a terminar, a comida era pouca e o cansaço era muito, encontrámos um poço e reabastecemos as forças, filtramos, tratámos e fervemos a agua. Como entrada uma sopa de carne, depois como segundo prato um atum com tomate, um chá delicioso para acompanhar e para digestivo uma cachaça.... uma noite no meio da selva até que não é tão dificil assim!!! Ontem com energia reforçada e com a vontade de encontrar uma cerveja gelada devorámos 300 kms de pista e pouco mais de meio dia, os buracos aumentaram os lameiros tb, mas não sei como achamos tudo bem mais facil ontem e às 2 da tarde já tinhamos a merecida cerveja na primeira aldeia depois de 425 kms de selva. Na entrada uma placa anuncia "Bem vindos a REALIDADE", não consigo imaginar um nome mais adequado para uma aldeia no fim da Trans - Amazonica. Agora estamos em Porto Velho a reconstruir as motos, já fizemos algumas reparações em Humaitá onde passamos a noite de ontem, mas o deposito da Floribela está com uma fuga e é necessário soldar algumas peças nas restantes motos, o Douglas da FOXMOTOS está nos dando uma ajuda preciosa e já nos deu contactos de mais amigos em Rio Branco e Peru, é para lá que vamos daqui a pouco. Podem ver mais algumas fotos recentes aqui: http://ateaofimdomundo.smugmug.com/gallery/3006282#163148440
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BR 319 - TransAmazonica